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Global e local

Global e local no intercâmbio transnacional e continental

A segunda linha de pesquisa trata, por um lado da dialética entre processos econômicos, sociais e políticos, globais e locais; por outro, da importância das conotações culturais durante o intercâmbio, a percepção e a cooperação entre sociedades diferentes. Aqui tem grande importância a comparação das diversas formas de desenvolvimento dentro da América Latina. Os trabalhos de pesquisa levam em conta as análises das relações econômicas e políticas de  cada estado e região com outras partes do mundo e suas conseqüências para a  América Latina, assim como as relações de trocas sociais e culturais e os conhecimentos mútuos que se articulam tanto ao nível local quanto global e regional. Atualmente, essa linha de pesquisa é dividida em cinco áreas de trabalho e seguirá nos próximos anos com a mesma divisão: delimitação de fronteiras e desfronteirização, fragmentos visuais e textuais, escravidão e diáspora africana na América Latina, América Latina em Berlim e desenvolvimento em um mundo interdependente.

  1. Área de Trabalho: Delimitação de fronteiras e desfronteirização

Passando por dados reais, a história da modernidade latino-americana tem sido escrita, tradicionalmente, pela perspectiva das nações e centros urbanos. Há muito tempo, por trás de mitos homogeneizadores, desapareceram a diversidade das culturas; a tradição oral, local e regional dos povos; os complexos processos de negociação entre constelações de poder periféricas e as coalizões de modernização do centro; a percepção através do outro; as hierarquizações das regiões em relação à Europa e aos seus vizinhos  norte- e sul-americanos, como pode ser  facilmente mostrado ao se tomar como exemplo o México.

Grupos de pesquisa interdisciplinar querem ter um panorama, no caso do México e do Brasil, sobre a reconstrução das narrativas de fronteira através de uma descentralização da perspectiva sobre situações de rompimento tempo-espaciais e suas precondições,  evidenciando assim a delimitação de fronteiras e o seu rompimento em diferentes campos e cooperando  para uma forma diferente de ver a sociedade latino-americana.

Nos exemplos do Brasil e do México, serão examinados concretamente  processos sociais, políticos, jurídicos, econômicos e culturais na delimitação e no rompimento das fronteiras, seja  internamente, seja em relação aos países vizinhos. Até agora, a previsão é que esses estudos sejam realizados em grupos separados, mas conduzindo a uma perspectiva para a elaboração de questões comparativas, podendo incorporar outras regiões.

No desenvolvimento dos Estudos latino-americanos de Língua, Literatura e Cultura e com a expansão da disciplina através dos estudos sobre Brasil e Caribe, surgiram princípios comparativos que analisam as literaturas e a cultura da América hispânica,  da América portuguesa e do Caribe.   No futuro, deverá ser trabalhado intensivamente a fim de abarcar as diversas manifestações lingüísticas e históricas das dinâmicas culturais das diferentes línguas e tradições nas suas relações de troca.

  1. Área de Trabalho: Fragmentos visuais e textuais

Questões sobre as diversas fronteiras e suas  transposições, os processos culturais de negociação de posições segundo as formas de exclusão e inclusão, a representação e a narração na construção de identidade no sentido étnico, sexual, político e social influenciam a ocupação com áreas de interação, de fronteira e de trânsito que não podem ser entendidos somente através de processos econômicos, sociais e políticos. Essas questões requerem elaboração e aplicação de novos princípios da teoria cultural.  No que se refere à questão sobre fronteiras e a suas transposições, é extremamente importante para o entendimento das dinâmicas culturais a elaboração de informações visuais em diferentes disciplinas, a confrontação com representações alegóricas, a representação e interpretação de normas e valores ou a percepção de imagens. Ainda que de forma especial, não é só a Antropologia Cultutral que depende, de certa forma, da elaboração da informação visual. Devido à longa experiência de pesquisa nesse campo e da estrutura interdisciplinar dessa disciplina, partem daqui importantes propostas, particularmente metodológicas, para outras disciplinas. As questões propostas pelos estudos de Língua, Literatura e Cultura na América hispânica e no Brasil sobre relações entre texto e imagem, transcodificação, transculturação, narrações e novas traduções são trabalhadas em contexto histórico e atual e de acordo com outras referências concretas.

A área do aproveitamento de construções de sentido em sociedades pré-colombianas  tem uma longa tradição em Berlim (Eduard Seler para Meso-América e Zona Andina e Gerdt Kutscher para as culturas pré-hispânicas da Zona Andina na costa do Pacífico). A essa tradição tem sido dada continuidade nos estudos de Antropologia Cultural em Berlim nas últimas décadas. Estabeleceu-se no LAI um grupo sobre isso que trabalha regularmente em uma série de projetos. Ao mesmo tempo, existe uma estreita cooperação com a pesquisa internacional sobre iconografia.

Os resultados preliminares mostram a possibilidade de reconstruir contextos narrativos e cosmológicos a partir da informação de imagens das sociedades pré-colombianas. A semiótica e a teoria narrativa constroem nesse sentido um ponto de referência direto dos Estudos de Língua, Literatura e Cultura do Brasil e América hispânica. Cosmologias e narrativas de imagens permanecem mais uma vez incompreensíveis quando não existe uma referência à etnologia em geral. Os trabalhos sobre as sociedades pré-colombianas são entendidos diretamente como uma reconstrução de referências de significado nas sociedades não-européias.  A esse respeito, as análises das informações sobre as imagens obtidas  por meio da arqueologia, em comparação com modelos de interpretação etno-históricos, são de grande importância. Ainda que a produção de imagens de sociedades não-européias não tenha derrubado a construção da dominação colonial, a combinação de formas de representação européia e pré-colombiana em muitos lugares pode ser comprovada.

Questões científicas interdisciplinárias podem ser formuladas diante desse panorama cujas construções de sentido devem ser analisadas para o entendimento do processo de formação de outras modernidades, ainda que tanto o período barroco quanto o romântico e o modernismo tenham produzido fragmentos visuais e textuais. A importância de formas femininas e masculinas para a personificação de certas normas e valores se reconstruirá com eficácia apenas de forma interdisciplinar e sob distintos aspectos. (A amplitude do efeito dos elementos visuais  é compreensível através da exposição: “Copyright by Kadiwéu”, do Museu Etnológico da Universidade Livre de Berlim. Preparada junto com os estudantes do Instituto de Estudos Latino Americanos, esta exposição mostra surpreendentes contextos “globalmente fragmentados”, como os da transmissão da pintura corporal e da cerâmica dos índios Kadiwéu do estado brasileiro do Mato Grosso, utilizados como recurso para o saneamento de uma construção em Berlim-Hellesdorf que contou com a colaboração direta das mulheres Kadiwéu no planejamento arquitetônico). 

  1. Área de Trabalho: Escravidão e diáspora africana na América Latina

O triangulo comercial África-Europa-América Latina construiu uma base importante do colonialialismo durante muitos séculos e, como pelo menos uma parte dos pesquisadores afirma, foi uma fonte financiadora da industrialização européia. Ao mesmo tempo, chegaram à América milhões de africanos que trabalharam como escravos nas plantações, nos trabalhos domésticos ou nas minas de ouro. Com a abolição da escravatura, o trato com os antigos escravos e seus descendentes permaneceu de múltiplas formas caracterizado pela exclusão. Para isso contribuíram, entre outros, as teorias raciais provenientes em sua maioria da Europa. As interações Europa-África-América caracterizam, além disso, o desenvolvimento de uma diáspora africana na América Latina. Sob a influência do movimento de direitos civis nos Estados Unidos, da luta contra o Apartheid na África do Sul e a reativação das raízes africanas no Caribe e no Brasil surgiu o “Atlântico Negro” (Black Atlantic) como um espaço político- cultural imaginário que une os descendentes de escravos dos três continentes.

Para as questões a serem pesquisadas, são interessantes as comparações provenientes da Ciência Cultural, da expansão de identidades afro-americanas e de formas de expressão cultural que na sua maior parte no Brasil, na Colômbia e no Caribe caracterizam com força cada vez maior o terreno cultural.  Ao mesmo tempo, a dimensão política atual dos processos de reafricanização é relevante, assim como a questão sobre o quanto as exigências construídas de reconhecimento correspondem historicamente ao nível nacional e local . Os primeiros resultados científicos sobre a literatura afro-brasileira e os estudos comparativos sobre Brasil e Caribe já estão disponíveis. Estudos sobre a conexão de movimentos sociais na área do “Atlântico Negro”/”Black Atlantic” estão em andamento.

  1. Área de Trabalho: América Latina em Berlim

Esta planejado um projeto interdisciplinar para unir trabalhos de graduação em Sociologia e Estudos de Língua, Literatura e Cultura e pesquisas dos historiadores do LAI que seguirá as diversas pistas da América Latina na cidade.  Berlim se presta  bem a analisar os efeitos dispares da globalização, as dinâmicas culturais da América Latina e suas encenações devido à hetereogenidade de lugares que oferece (desde o Instituto Ibero-Americano até o Ministério do Exterior, passando por museus, empresas, festivais de cinema, os arquivos, discotecas e até a prostituição).

 Os acervos dos recém-classificados arquivos de Berlim podem ser utilizados para trabalhos históricos referentes à América Latina, a saber: o Arquivo Federal de Berlim, o Arquivo Político do Ministério de Assuntos Exteriores, o Arquivo Estatal Secreto do Patrimônio Cultural Prussiano, o Arquivo Central Evangélico, bem como os arquivos de empresas como AEG e Schering.  Para uma avaliação da importância destas instituições na América Latina durante o Nacional-Socialismo é possível estabelecer uma relação entre o LAI e o IAI. Essa área de trabalho é interessante também para pesquisadores latino-americanos de diferentes disciplinas. Questões comparativas, como por exemplo, a importância de espaços públicos e privados e outros fenômenos e representações de uma modernidade globalmente fragmentada podem igualmente ser analisadas.

  1. Área de Trabalho: Desenvolvimento num mundo interdependente

As pesquisas sobre as complexas relações entre a Europa e a América Latina, as percepções bilaterais e dos pontos principais de conflito entre os Estados Unidos-América Latina-União Européia (ou seja, da constelação dessa relação triangular que deve estar mais ligada à analise) precisam de enfoques interdisciplinares de interpretação. No futuro, questões transdisciplinares de pesquisa sobre a relação entre “cultura e desenvolvimento”, sobre a importância da mídia, da informação e da comunicação serão levados mais em conta pela análise dos campos da cooperação internacional como da política de desenvolvimento (na prática e na teoria) cujas reflexões criticas há muito tempo já pertencem ao perfil do LAI. A cooperação estreita entre as ciências sociais e econômicas é indispensável na análise de problemas de “global governance” e na discussão sobre os desenvolvimentos econômicos globais (principalmente nas políticas monetárias, financeiras e sociais) e sua importância para as políticas internacionais e nacionais distintas. (Um ponto concreto essencial da pesquisa regional forma hoje em dia um trabalho internacional conjunto para o desenvolvimento no Amazonas, zona que pertence a vários países sul-americanos. Para isso, recorreu-se aos vários trabalhos prévios e às boas conexões entre a prática e ciência). Nos próximos anos, a pesquisa dos aspectos sul-sul também será fortalecida, tratando junto com a Etnologia das análises das manifestações locais nos processos globais entre países em vias de desenvolvimento.

 

 

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